Como tudo começou… (Por Jaqueline)

A palavra família sempre teve um significado diferente para mim. Desde muito pequena sonhava em ter uma família, alguém que me olhasse como criança. Sonhava em chegar em casa da escola e ver minha mãe esperando para o almoço, receber um beijo e me sentir amada, foi uma infância muito diferente do que eu sonhei, sobrevivi, jurei que faria diferente.

E aqui estou, atualmente diante de uma percepção pessoal em que me vejo imersa a esse meio tecnológico que me distancia cada vez mais do que considero mais precioso, a minha família.
Nos últimos tempos passei a analisar o quanto me encontrava distante, sem tempo para pequenas atividades que, até pouco tempo atrás, fazia parte da minha rotina diária e familiar. Passei a notar o quanto a minha atenção excessivamente voltada para a utilização do smartphone e quanto isso estava me distanciado daqueles que eu amava meu marido e filha.

Iniciei a implantação de algumas medidas dentro da minha casa para melhorar nosso relacionamento, e não permitir o distanciamento da minha família. Estamos aprendendo juntos a utilizar a Internet com equilíbrio, a ter senso crítico do que é positivo e pode agregar em nossas vidas dentro da nossa realidade.

Passei a observar famílias, casais em restaurantes, e como as crianças e adolescentes estavam distantes com o olhar fixo em dispositivos eletrônicos, mas o que mais me tocou foi o que vivenciei em uma reunião escolar do colégio da minha filha, situação em que os pais debatiam sobre o rendimento escolar de seus filhos, metodologia da escola e até a didática aplicada pelo professor.
Os professores, por sua vez, abordaram a dificuldade que enfrentavam diante de tantas distrações, e a que mais prejudicava era dispersão dos aparelhos celulares. As notificações emitidas pelos aparelhos passaram a dividir a atenção daquelas crianças.

Perante a abordagem dos professores, um avô responsável de um dos alunos, se pronunciou em meio aquele debate:

– Meu neto passa a noite em jogos e na internet. No dia seguinte, não quer acordar para vir ao Colégio. Gostaria de saber se os filhos de vocês também trocaram o dia pela noite?
Aquela pergunta soou quase como um pedido de socorro.

Naquele momento, resolvi dizer de que forma estava conduzindo os excessos relacionados ao uso da tecnologia na minha casa, e reforcei que minha filha não tem autorização para levar o celular para a escola, e, além disso, há um limite diário estipulado para uso do aparelho e da internet.
Estava claro para todos que aquele debate sobre o baixo rendimento da maioria da sala não era por conta da metodologia da escola ou do professor, mas, sim, pela carência de cuidado que cada família estava admitindo no uso excessivo da tecnologia.

Questionei aqueles pais se eles sabiam o que satisfazia seus filhos na internet, quais as referências deles nas redes sociais, se sabiam quanto tempo eles perdiam na internet e se já haviam pensado em estipular um tempo para utilização do smartphone. Tivemos um longo debate de opiniões e questionamentos. Foi tudo muito agregador!

Ao final da reunião recebi um abraço dos coordenadores da sala, que agradeceram pelo meu posicionamento e o quanto a minha participação havia sido importante.
Naquele dia tive a convicção do quanto todos se encontravam distantes de seus filhos, e como eu poderia ajudar essas pessoas a entenderem a gravidade do problema relacionado ao mau uso da tecnologia.

Esse projeto faz muito sentindo para minha história, e, foi sem dúvidas, o start que eu precisava para pesquisar e estudar mais sobre como apoiar e aproximar famílias.

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